Como esquecer à minha maneira


Depois que eu assisti "Como Esquecer", na semana passada, fui catar por blogs uma opinião crítica sobre o filme. Li muitos desagrados quanto à sensação de repetição e insistência nos mesmo textos, já que a protagonista, por ser professora de Literatura, poderia buscar certas referências em outros livros, não apenas no Morro dos Ventos Uivantes; e as frases enlatadas e forçadas nos diálogos das personagens. Só achei válidos os monólogos, e acho que o texto repetitivo ilustrava bem o estado da Júlia (Ana Paula Arósio): insistente naquele discurso e naquele sentir. O texto grudou nela, e ela se apegou à ele naquele momento.
Apesar disso, foi um filme interessante pra mim. Cada um tem sua maneira de esquecer. Uns poetizam, sofrem visivelmente e intensamente. Outros mesmo doendo tentam a vida lá fora, bebem e não esquecem, sempre repetindo embriagadamente o caso que os aflige. E tem aqueles também que batem portas, gritam na cara de quem nada tem a ver com a história, vomitam desafetos e criticam as pessoas pra sentir que todo mundo é tão errado assim, sim.
É tão importante não fingir que a dor não existe, mas eu vivo ela da minha forma. Eu sei o que sinto e o que fazer com isso. E quando não sei, ainda faço algo. Sempre faço. Achava que guardava, mas na verdade a dor estava aqui, disfarçada de mudanças físicas, de noites mal-dormidas, vestida de falta de fome ou registrada em textos e desenhos intensos. Eu vivi.
Talvez tenha sido teimosa em querer sofrer tal qual pessoas me disseram ou mostraram sofrer. Estaria eu fugindo de novo de mim - deveria ser mais obvia? Mas eu esqueci que cada um dança a dança da sua forma...
Pronto. Esqueci. Da minha forma.
(não insista, não quebrarei copos, nem gritarei em janelas de novos estranhos)

3 Responses so far.

  1. Juliana says:

    "Vestida de falta de fome ou registrada em textos e desenhos intensos. Eu vivi.."

    Acho, como tu, que a repetição de textos, é a repetição dela mesma... repetimos o que nos causa dor, até entender e poder partir... Ou seja, como no filme " a gente entra em um buraco profundo e só sai com a ajuda de quem nos colocou lá!" acho que era isso, mas não sei... guardei o sentido não as palavras...

    Vivemos, isso deveria bastar.. porque "como esquecer?" isso não existe... existe apenas, isso não me serve mais... mas eu ainda lembro...


    Como eu lembro? Se me causa dor, se me causa alegria, só eu sei... mas de verdade... deixa eu passar com minha dor... é o meu direito... do meu jeito... enquanto ela me doer!

  2. Verdade, Ju. Não seria um esquecer, e sim um deixar ir.

  3. Fernanda says:

    Amei teus blogs! E seus desenhos, então, fofíssimos...
    Adorei tua crítica e efeito do filme em você. Preciso assisti-lo, mesmo que ele também acorde minhas dores, aquelas que eu esqueci. Enquanto isso, vamos carregando e dançando... Cada um do seu jeito.

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